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Ribeirinhos são beneficiados com conjunto gerador de energia limpa e gratuita que acaba com os gastos com combustíveis para gerar eletricidade

Projeto leva energia solar para famílias da Floresta Nacional em Humaitá

Com 35 mil euros (cerca de R$ 100 mil), uma iniciativa  vai  realizar o sonho de 25 famílias que moram em oito comunidades da Floresta Nacional (Flona) Humaitá, a 600 quilômetros de Manaus. Cinco delas já foram beneficiadas e vão acompanhar pela TV os jogos da Copa do Mundo sem o barulho incômodo de um gerador de energia elétrica.

Depois do evento internacional, todas as famílias estarão com energia elétrica limpa e gratuita. Um presente para quem hoje depende do pote, da lamparina ou de energia vinda de pequenos e barulhentos geradores a diesel, que muitas vezes falha. Pior: o serviço é pago pelos comunitários para garantir poucas horas de luz à noite.

Utilizando energia solar, o projeto, denominado “Luz na Floresta” (que não tem nada a ver com o governamental Luz Para Todos), foi planejado em 2017 e no mesmo ano já começou a ser colocado em prática, sem contribuição financeira direta do governo. O  projeto é financiado pela Fundação Nexans e executado pela ONG Instituto Pacto Amazônico.

Parceria e desafios

Os parceiros mais próximos são o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que contribuiu com a logística (fornecendo barcos e carros para transporte dos equipamentos), e a Universidade Federal de Amazonas (Ufam), que ofereceu  suporte técnico científico.

Em outubro do ano passado, um conflito que quase acabou em tragédia na região atrasou o andamento do projeto. Uma denúncia do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) contra a exploração irregular de garimpos provocou uma ação, liderada pela Polícia Federal, que incendiou balsas e equipamentos ilegais.

A ação resultou num ataque dos garimpeiros, que por vingança incendiaram a sede do Ibama em Humaitá e  um barco-modelo do ICMBio, dotado de sonar e dos mais modernos equipamentos de comunicação.

Desde então, o projeto de instalação de energia sofreu uma interrupção. Tanto o Pacto Amazônico quanto o ICMBio se sentiram ameaçados e “deram um tempo no projeto” até as coisas se acalmarem.

Engajada em questões ambientais,  Leila Mattos chefiou a Flona Humaitá de 2013 até este ano, e lamenta as perdas por conta do conflito com garimpeiros. “Tivemos que sair de lá em 27 de outubro. Os garimpeiros queimaram o barco que o Ministério do Trabalho acabou de doar, com capacidade para 35 passageiros, com sonar, camarotes, todo equipado. Devido a essas agressões, praticamente fomos expulsos do Município, mas vamos voltar e concluir o projeto”, assegurou.

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