Home / Capa / Omar e Melo bancavam tratamento de saúde de poderosos com dinheiro público

Omar e Melo bancavam tratamento de saúde de poderosos com dinheiro público

AMAZONAS – A lista inclui ainda políticos e amigos de Omar e também do ex-governador José Melo (Pros), ambos delatados de se beneficiarem de milhões desviados da Saúde na operação Maus Caminhos.

Abril 8, 2018 10:37 pm

AMAZONAS – A lista de autoridades reveladas pela reportagem do Fantástico, na noite deste domingo (08) é poderosa. De colunistas sociais a parentes de Prefeitos de municípios do Estado, entre eles, Francivaldo Garcia, conhecido como Valdo Garcia, na época cunhado do prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB), que era casado com Goreth Garcia, foi um dos principais privilegiados pelo esquema montado pelo ex-governador José Melo (Pros), em 2015, para beneficiar um grupo seleto de amigos que fizeram tratamentos caros no Hospital Sírio-Libanês, na cidade de São Paulo, com dinheiro do contribuinte do Amazonas.

A lista inclui ainda políticos e amigos de Omar e também do ex-governador José Melo (Pros), ambos delatados de se beneficiarem de milhões desviados da Saúde na operação Maus Caminhos. O caso foi parar em reportagem do programa Fantástico deste domingo, na Rede Globo de Televisão. Valdo é irmão do prefeito de Parintins, Bi Garcia.

No ano anterior, em 2014, Arthur Neto havia anunciado seu apoio à candidatura de José Melo à reeleição, numa festa, em 21 de junho, no clube Charriot, no bairro Cidade Nova. O prefeito confirmou também apoio à candidatura do ex-governador Omar Aziz ao Senado. Melo está preso e Omar foi delatado, ambos como beneficiados no esquema de desvio de R$ 100 milhões da Saúde do Estado, descoberto pela Política Federal (PF), na operação Maus Caminhos. E Arthur foi listado para ser testemunha do irmão de Melo, o ex-secretário Evandro Melo, também preso na Maus Caminhos.

“ Serei um cabo eleitoral da melhor chapa que poderíamos ter para a candidatura ao governo. E sei que o povo do Amazonas vai estar conosco”, declarou Arthur. “Meus candidatos são Omar Aziz, José Melo e Aécio Neves. Em 2016, em discurso na abertura dos trabalhos da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Arthur defendeu Melo. Disse que, na época, os responsáveis pela campanha contra Melo agiram com rancor. “O rancor é um péssimo conselheiro, porque ele envenena o rancoroso”, disse. Antes, em 2014, Arthur teve o apoio de Melo para eleger o presidente da CMM, Wilker Barreto (PHS), que continua no cargo até hoje, em segundo mandato.

O então cunhado de Arthur está na lista dos privilegiados, com pagamento de R$ 127,6 mil do governo do Amazonas ao Hospital Sírio-Libanes, num ano em que parte da população amazonense aguardava nas filas para a realização de exames e tratamentos diversos na rede pública de saúde. Os gastos chegaram , só entre 2013 e 2015, a R$ 3,9 milhões ao hospital. Em 2015, o colunista social de Manaus Aléx Deneriaz, já falecido, foi internado no Sírio. O tratamento dele custou R$ 785,3 mil ao governo, no governo de Omar Aziz.
Escândalo

O Ministério Público do Amazonas (MP) investiga o escândalo de favorecimento e privilégios a autoridades e personalidades do Estado no tratamento de saúde em hospital de luxo de São Paulo durante as gestões de Omar e Melo (PROS), com o objetivo de apurar “ato de improbidade administrativa com dano ao erário, consistente no favorecimento a determinadas pessoas da sociedade local, ligadas a autoridades públicas estaduais por laços políticos, de parentesco ou amizade, através do pagamento com recursos públicos de tratamento médico em hospital privado, sem observância dos critérios constitucionais e legais estabelecidos para o atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS), gerando dano ao Erário do Estado no montante histórico de R$ 4.845.867,13, no período de 2012 a 2017”.

No próprio MP tramitam outros inquéritos para apurar a denúncia de favorecimento a pessoas ligadas a políticos no Estado. Em 19 de fevereiro do ano passado, o promotor de Justiça Alessandro Samartin de Gouveia, da cidade de São Gabriel da Cachoeira, instaurou um inquérito civil para apurar os pagamentos das despesas médico-hospitalares de Mariolino Siqueira de Oliveira, ex-prefeito daquela cidade, realizados pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) ao Hospital Sírio-Libanês, no valor de R$ 307.310.75, entre fevereiro e abril de 2013, na gestão do ex-governador Omar Aziz. Mariolino teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE).

Na mesma data, o promotor Gouveia determinou a instauração de outro inquérito para apurar a Instauração de inquérito civil para apurar os pagamentos das despesas médico-hospitalares de Washington Régis, ex-prefeito de Manacapuru, realizados pela Susam ao Hospital Sírio- Libanês, no valor de de R$ 191,3 mil, em fevereiro de 2015.

Conforme dados públicos do Portal da Transparência do governo do Estado, ferramenta que agrega informações sobre receitas e despesas dos três poderes, só em 2015, R$ 1,7 milhão foi destinado ao tratamento de seis pessoas, entre elas, um desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas. O tratamento do magistrado custou aos cofres estaduais R$ 63,4 mil. O descritivo do gasto não informa qual enfermidade o desembargador foi tratar.

O ex-presidente da Comissão Geral de Licitação (CGL), Epitácio de Alencar e Silva Neto, também recebeu tratamento especializado no Sírio-Libanês, que custou mais de R$ 46,4 mil ao Estado, conforme nota de empenho datada de agosto de 2014. Em 2013, o então vereador licenciado e secretário municipal de Esportes de Manaus, Sildomar Abtibol, também teve tratamento, que superou os R$ 250,8 mil.

O ex-secretário de Saúde da Susam Tancredo Castro Soares, teve um tratamento caro de saúde custeado pelos cofres públicos, que chegou a R$ 200,8 mil. O irmão do ex-deputado estadual e atual prefeito de Parintins Bi Garcia, Francivaldo Garcia, consta na lista de pacientes do Sírio-Libanês com despesas pagas pela Susam, de R$ 127,6 mil. Fabianno Figueiredo passou por tratamento para combater uma leucemia na unidade hospitalar, ao custo de R$ 271,7 mil. Os tratamentos prestados incluíram serviços de urgência e emergência, ambulatoriais, laboratoriais e até odontológicos.

Operação Maus Caminhos viu desvios de R$ 110 mi da Saúde

No ano passado, a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Maus Caminhos, com objetivo de desarticular uma organização criminosa que desviava recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas. De acordo com as investigações, agentes públicos e empresários estão envolvidos em fraudes que somam mais de R$ 110 milhões. O escândalo levou à prisão o ex-governador José Melo e quatro secretários de Estado. Delatado no processo como sendo um dos beneficiários do esquema, o ex-governador Omar Aziz está sendo investigado no Supremo Tribunal Federal (STF), por ter foro privilegido.

A investigação teve início quando a o Ministério da Transparência analisou uma concentração atípica de repasses do Fundo Estadual de Saúde à organização social Instituto Novos Caminhos (INC). De abril de 2014 a dezembro de 2015, a entidade recebeu mais de R$ 276 milhões para administrar duas unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) em Manaus e Tabatinga e um centro de reabilitação para dependentes químicos, no município de Rio Preto da Eva.

Os auditores verificaram também que os principais fornecedores do INC, empresas administradas por um mesmo grupo de pessoas ligadas ao esquema criminoso, receberam pagamentos por serviços não prestados, indevidos e superfaturados. As fraudes envolvem ainda, além dos serviços médicos e de administração, a prestação dos serviços auxiliares de saúde, como lavanderia, limpeza, refeições hospitalares e portaria.

A operação Maus Caminhos levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o ex-governador e atual senador Omar Aziz (PSD). O ministro do STF Dias Tofoli determinou a abertura de inquérito para investigar Omar. A decisão foi tomada após a juíza da 4ª Vara Federal no Amazonas, Ana Paula Serizawa Silva Podedworny, enviar ao STF o inquérito da operação, por envolver alvos com foro privilegiado.

O documento da ação, que corre em segredo de Justiça, vazou na internet. Na decisão, o ministro cita que no curso das investigações da operação Maus Caminhos foram “fortuitamente encontrados elementos de prova que apontam para a prática, em tese, do crime de corrupção passiva pelo senador da República Omar Aziz”, e que o “encontro decorreu do exame das conversas registradas nos aparelhos telefônicos de propriedade dos investigados, apreendidos durante o cumprimento de medidas cautelares no curso da denominada operação Maus Caminhos.

Fonte: opoder.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *