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DESAPARECIDOS: EXÉRCITO SUSPENDE BUSCAS, MAS JUÍZA DO AMAZONAS DECRETA PRISÃO DE DOIS SUSPEITOS

Familiares de agricultores que estão desaparecidos a sessenta e oito dias acreditam que o sumiço deles tenha relação com o crime de grilagem de terra. Os campesinos sumiram no dia 14 de dezembro de uma área de terra em Açuanopolis, município amazonense de Canutama. Desde então nunca mais foram vistos.

Os agricultores Flávio Lima de Souza, Marinalva Silva de Souza e Jairo Feitosa Pereira desapareceram no dia 14 de dezembro do ano passado.

“Eu tenho duas filhas pequenas. Todos os dias elas perguntam o que aconteceu com o pai delas”, revela emocionada a esposa de Flávio Lima de Souza, desaparecido.

Era uma quinta-feira, quando o trio deixou o acampamento dizendo que iria demarcar uma área de terra localizada ao Sul do Estado do Amazonas. Desde então eles nunca mais foram vistos.

A área onde as três pessoas sumiram fica no distrito de Açuanópolis no município de Canutama, a 615 quilômetros de Manaus. Aterra em questão vem sendo disputada na justiça. Por conta disso, os familiares não descartam a ligação do desaparecimento com um possível crime de grilagem.

“Eles saíram daqui dizendo que iriam até o final da fundiária, que fica a 8 quilômetros seguindo mata adentro. Até hoje esperamos notícias deles”, relata uma agricultora que prefere não se identificar.

No dia 28 de janeiro a justiça do amazonas decretou a prisão de dois fazendeiros. Antônio Mijoler Garcia Filho e Reinaldo da Silva Mota são apontados como suspeitos do desaparecimento dos campesinos. Segundo a pastoral da terra em Rondônia, um dos desaparecidos vinha sendo ameaçado de morte e já havia denunciado o caso à polícia. Ainda segundo a entidade ligada à igreja católica, os agricultores integram um grupo que ocupa uma área de terra da união. Desde 2015 as famílias travam disputa judicial contra os fazendeiros pela posse definitiva.

Desde 2015 as famílias travam disputa judicial contra os fazendeiros pela posse definitiva. “A justiça já foi comunicada. O INCRA inclusive ficou de ver a situação, mas a morosidade da justiça, aliada a falta de iniciativa do Instituto ligado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário vem fazendo cada vez mais vítimas na Amazônia”, denuncia a coordenadora da Terra em Rondônia, Maria Petronila.

Este  homem é irmão do agricultor Flavio Lima de Souza, que está entre os desaparecidos. Os meses sem respostas têm levado o familiar a acreditar na morte do irmão. Ele também não descarta a possibilidade de que outras pessoas venham a ter o mesmo fim caso o INCRA do amazonas não tome uma providência. “O que se sabe é que se a justiça não tomar providencias logo não vai durar muito para que outras pessoas também percam a vida”, declara o agricultor Álvaro Lima de Souza.

Para os familiares dos desaparecidos, o sonho da terra prometida se transformou em um pesadelo. Mesmo vivendo sob ameaças os agricultores declaram que não pretendem deixar as terras.

As buscas pelos agricultores foram suspensas pelo exército. De acordo com o comandante do 54º batalhão de infantaria de selva, sediado em Humaitá no amazonas, Alexandre Fonseca toda a área foi vasculhada, mas os agricultores não foram encontrados.

Imagens: Willian Ferreira

Fonte: NewsRondônia

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